SÁBADO

por

C-Studio

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Oceanic Lounge
Diversas peças de arte criadas a partir do lixo marinho
Experiência criativa

Arte como ativismo

Dê um mergulho no universo da produção artística que vai decorar o Mercedes-Benz Oceanic Lounge, uma importante iniciativa de sustentabilidade em Lisboa.

A magia dá-se num armazém na zona de Mafra, no Oeste português. Sob os olhares atentos da gata Ginger e entre montanhas de lixo retirado das águas do mar, tesouras, pincéis e latas de tinta, objetos descartados nos oceanos são transformados em obras de arte pelo coletivo Skeleton Sea, como um grande – e fascinante! – apelo à sustentabilidade.

Fazer uso da criação artística para chamar a atenção para um tema tão atual quanto imprescindível foi uma ideia que nasceu há anos. Um grupo de surfistas que viajava pelo mundo em busca das ondas mais desafiantes viu-se diante de um obstáculo muito maior do que as ondas gigantes que enfrentavam: combater a imensidão de lixo no mar, que já estava a mudar paisagens de sonhos como a de Bali, na Indonésia. Quando foi até lá pela primeira vez, nos anos 80, o surfista Xandi Kreuzeder, alemão criado em Portugal, encontrou águas cristalinas. Décadas depois, o cenário já era bastante diferente e o lixo tinha transformado a ilha num verdadeiro depósito de plástico.

Xandi Kreuzeder não conseguiu ficar indiferente diante da destruição da natureza, que via repetir-se em diferentes destinos do mundo. E foi assim que, junto dos companheiros de viagem João Parrinha e Luis de Dios, decidiu pôr literalmente as mãos na massa. “A cada ano víamos a poluição piorar, mesmo em áreas muito remotas”, partilha o artista.

Somos artistas, surfistas, pessoas criativas, então tivemos a ideia de transformar o lixo em peças de arte com a poderosa mensagem de preservação e limpeza dos oceanos.

Xandi Kreuzeder, surfista e artista do coletivo Skeleton Sea

O desejo de um mundo mais sustentável e saudável para as futuras gerações é o que guia o trabalho dos Skeleton Sea, um coletivo já conhecido dos portugueses – há peças em exibição em locais como Lisboa e Ericeira. A paixão pelo projeto fez aumentar o coletivo, que já não se resume ao trio inicial. Em comum, todos os artistas integrantes da iniciativa são guiados pela motivação de salvar os oceanos e expandir a mensagem de consciencialização para a população.

Inspiração criativa

O grupo revela que muitas das ideias para criar as esculturas surgem nos próprios momentos de limpeza e de recolha do material. Outras nascem a partir de um tema central, como a consciencialização para o uso excessivo de plástico. Foi o caso de um enorme dragão construído com 200 mil tampas, uma das peças emblemáticas do coletivo. “Precisamos pensar em soluções mais sustentáveis para não consumirmos tanto plástico. Hoje existem muitas alternativas”, relata o surfista, para quem “as peças falam por si próprias”.

Xandi Kreuzeder e os colegas não têm dúvidas: a arte é uma ferramenta poderosa de ativismo. O trabalho que constroem está a alcançar bons resultados. “O retorno é sempre positivo. As pessoas veem as esculturas e percebem imediatamente a mensagem”, ressalta o artista.

Temos de fazer com que reflitam e mudem os seus hábitos. Todos podem ajudar.

Xandi Kreuzeder, surfista e artista do coletivo Skeleton Sea
  • Apresentação do projeto
  • Detritos recolhidos no mar
  • Equipa a trabalhar nas suas peças
  • Aplicação das técnicas aprendidas
  • As peças de  arte ganham forma
  • Vista geral das bancadas de trabalho
  • Holger Marquardt na sua peça de arte
  • Algumas peças de arte concebidas com o lixo do mar
  • Coletivo Skeleton Sea no processo criativo

Não foi sem razão, portanto, que os Skeleton Sea foram convidados a decorar o novo Mercedes-Benz Oceanic Lounge, em Lisboa, com peças produzidas especialmente para o espaço. Holger Marquardt, CEO da marca em Portugal, é enfático ao dizer que não havia sentido adquirir peças novas e sem propósito para decorar um lounge que tem como lema a sustentabilidade.

Mãos à obra para criar esculturas únicas

O trabalho que estamos prestes a ver finalizado teve início há meses e incluiu todas as etapas da produção artística desde a recolha do lixo. Embora os artistas já tenham esculpido diferentes peças sob medida, como a baleia que estará na porta do lounge e um golfinho na sala de entrada, a proposta foi expandir tanto a arte quanto a reflexão e a interação com a sociedade.

Com essa finalidade em vista, foram realizados dois dias de workshops com convidados que, com a orientação dos Skeleton Sea, criaram esculturas únicas que estarão igualmente em exposição no lounge. O próprio Holger Marquardt ausentou-se por algumas horas das tarefas de CEO para “viver um pouco o lado de criança” e dar forma a um peixe.

O que estamos a fazer é muito bonito e importante.

Holger Marquardt, CEO da Mercedes-Benz

“Foi uma experiência muito boa. Não temos noção de quanto lixo existe. Foi muito interessante refletir e pôr a criatividade a funcionar na produção das peças”, ressaltou Sara Machado, da equipa de marketing da Mercedes-Benz, que cresceu na praia e que tem uma ligação especial com o mar. Ivo Fischietti, também parte da equipa de marketing, partilha a mesma ideia: “O mar é tudo para mim, para o nosso país, para a nossa herança cultural. Participar da retirada do lixo e da confeção das peças foi muito importante para estarmos realmente ligados à essa nova iniciativa da Mercedes-Benz.”